quarta-feira, 28 de maio de 2014

| Marcos Cesário |

28 de maio de 2014








Houve um tempo em que eu via cenas, aparentemente banais, para a maioria de nós: um cachorro, um sapo, um pássaro, uma vaca, um gato, mortos, atropelados por nossos automóveis e isto não me causava nenhum tipo de espanto, às vezes, eu até sentia uma piedade distante, mas, estas cenas não me comoviam ao ponto de me levar a algum lugar da tristeza.

Eu não crio animais, não gosto de abraçá-los nem beijá-los. Mas sinto um prazer legítimo em olhá-los e perceber e apreciar nossas diferenças e semelhanças: e as semelhanças são tantas, tantas...
Por isto, quando vejo hoje em dia, um gatinho morto por um automóvel sem alma, eu sofro...

É como se uma parte de mim estivesse, antes mesmo que eu soubesse, morrido com o pequeno animal.

Não há muito o que dizer: falar sobre certas coisas que sentimos, nem sempre nos leva a sermos compreendidos. Mas, estou triste por algo de mim, neste corpo pequeno e sem vida de um inocente gatinho atropelado pela prepotente velocidade de nossa indiferença.