terça-feira, 4 de março de 2014

| Marcos Cesário |

18 de fevereiro de 2014








Hoje pela manhã recebi um email de uma amiga, o título do email era “Outra extremista!”. Já sabia mais ou menos do que se tratava. Entrei no link e acabei de ler um desabafo, digamos, um tanto desajeitado de Luise B. e Estava lembrando que há alguns anos, numa noite, eu estava em companhia de uma bela garota; depois de uma gostosa e rápida conversa estávamos namorando e ela, para minha surpresa, tirou uma carteira de cigarros de dentro de sua bolsa. Eu não sabia que ela fumava e já tinha beijado uma outra fumante antes e não gostei daquele hálito de fumaça que fica na boca do fumante logo depois que ele fuma um cigarro. Pedi a ela que não fumasse naquele momento porque eu não me sentia bem com o cheiro do cigarro. Fiquei surpreso com sua agressividade, ela me olhou furiosa e disparou: “Não posso não! Por trás deste seu pedido está escondido uma vontade de subjugar uma mulher! Como todo machista, você é daqueles que gostam de controlar os desejos da mulher não é?!” Eu fiquei perplexo, claro, e depois disto não tínhamos mais clima para estarmos juntos. Dissemos algumas outras coisas um para o outro e ela ficou namorando sua carteira de cigarros e eu fui para casa.

Esta é só uma das pequenas e lamentáveis estórias que já aconteceram comigo e com outros, que demostram de alguma forma um extremismo de algumas mulheres que se dizem feministas e na verdade são só extremistas mal disfarçadas. Luise B parece uma destas. Em sua crônica: “Toda feminista é mal amada”, Luise B. tenta se passar como oprimida por uma sociedade que oprime a todos de uma forma ou de outra. Luise acha que o mercado só tenta vender a alma das mulheres. Luise, a publicidade “odeia a nós todos!”. Luise, você ignora que nós, os homens - não falei só dos machos -, nós, os homens, também estamos sujeitos a comparações do tipo: “Qual é o seu carro?”. “Onde você trabalha?”. “Ele é corno!”. “Ele é viado?”. Sabe, Luise, o mundo já foi muito complicado para as mulheres, hoje já evoluímos muito... Claro que ainda falta muito mais. Você não precisa nem deve usar uma auto- vitimização para punir toda a sociedade e todos os homens.

Eu já vi demonstrações agressivas de grupos feministas que me lembraram muito a agressividade insensível dos machistas: violenta e um tanto sem lógica.

Em um trecho de sua crônica você sem pensar muito no que está dizendo desabafa: “Se eu fosse amada (veja bem, não digo nem BEM amada, o que seria melhor. Só o amor já ajudaria!). não reclamaria; não me sentiria feia, nem gorda, nem deslocada, nem magra, nem incapaz”. É neste trecho que você, cara Luise, demonstra que foi e é “mal amada” e não amou, porque você ignora que é no amor que as pessoas mais reclamam, ou por ciúmes ou por saudade... Também quem ama e é amado(a) acorda um dia ou outro e se sente muito feio ou feia pelas mesmas inseguranças que o amor desperta. É nestes mesmos dias que podemos nos sentir ou magro(a) ou gordo(a) demais ou um tanto deslocado(a) e até incapaz...

Será que Luise ainda acredita nos amores das estorinhas dos contos de fadas? Branca de neve, Rapunzel... Onde todo amor começa e termina mais ou menos com um “Felizes para sempre”? E por isso mesmo nunca há ou haverá crise de identidade ou conjugal?

Cara Luise, o mundo está bem menos pior para as mulheres do que aquele que você irresponsavelmente pintou em suas palavras. Conheço dezenas de garotas em que os pais já não se importam que elas durmam na casa dos namorados e veem até com certa naturalidade e apoiam, e isto, Luise, quer dizer muita coisa. E fico feliz que o mundo esteja progredindo neste e em tantos outros sentidos. Tenho duas filhas e celebro cada conquista das mulheres como uma conquista de minhas filhas, de minha irmã, de minha sobrinha, de minhas amigas, de minhas companheiras como se fosse uma vitória minha! E é.

Eu mesmo me sinto um homem deslocado porque a maioria de minhas amigas sempre foram e ainda são mulheres. Detesto futebol e não gosto de “encher a cara” de cerveja e até fico bêbado com uma latinha de cerveja... E por estas e outras tantas coisas não sou bem visto pelos machões.

Também conheço um homem que perdeu o emprego há alguns meses e ele me contou chorando que sua mulher está se habituando a lhe subjugar com pequenas tiranias no dia a dia, assim como os machos faziam e ainda fazem com suas companheiras...

O problema de tanto desamor no mundo não é culpa só de uma sociedade machista, não. Não é. As mulheres são capazes de tiranias tão cruéis quanto a dos homens, isto há séculos. Arriscamos, até, a afirmar que para cada tirania de um menino com outro menino, como bater, por exemplo, existe uma tirania que as doces menininhas usam contra as outras. A mais conhecida e a mais cruel talvez seja a fofoca, a difamação que desde cedo a doces menininhas aprendem, sem a ajuda dos homens ou dos menininhos, com as próprias mulheres ou menininhas a tiranizar umas as outras num silêncio delicado e perigoso...

O problema desta falta de amor e gentileza ainda hoje e sempre foi assim. É um problema humano, Luise, e nem os machistas e nem certas feministas têm ajudado muito no avanço de elucidar e lutar contra estas tiranias e incompreensões, e seu desorientado texto, Luise B. é uma prova desta sua, desta nossa incapacidade, ainda hoje, de assumir e mudar muitos equívocos de nossos equivocados antecessores.

Luise no final de seu desajeitado texto ainda dispara: “sou mal amada e, sendo assim, só me resta ser feminista”.

E eu me pergunto, e eu lhe pergunto Luise B.: Será que você não é mal amada porque se esforça tanto para agredir e parecer mal amada que acaba se tornando assim tão... Mal amada?