terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

| Pedro Sá |

21 de janeiro de 2014






Estive ontem à tarde com meu querido amigo Marcos Cesário. Caminhávamos perto da antiga estação de trem, onde não há casas, nem pedestres, nem o barulho excessivo dos automóveis, apenas o sol entardecendo devagar sobre os vagões que esperam solitários sobre os trilhos...

Marcos levava a câmera fotográfica em uma das mãos e na outra a direção de nossa caminhada. Andamos por algumas horas observando as paisagens dentro e fora de nós. Como sempre, nossas conversas tendem ao amor e à morte. Meu amigo nunca se afasta desses dois temas; e mesmo o modo como fica em silêncio, caminha e respira estão vinculados às reflexões e sensações que ele mantém acerca da brevidade e dos anseios da vida.

Durante nossa caminhada contei-lhe uma triste experiência que vivi recentemente. Ele ouviu com cuidado minhas preocupações e, colhendo as palavras nas cicatrizes de suas vivencias, não apenas me consolou, mas também me aconselhou. Recorro ao seu olhar sempre que a paisagem à minha frente está embaçada, e, como sempre, seu olhar caminha e atravessa o nevoeiro comigo. Nem sempre é fácil agradecer coisas assim, mas talvez a amizade seja isso, sentir que não devemos nada e que, ao mesmo tempo, devemos tudo ao outro.