terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

| José António Franco |

21 de janeiro de 2014










lancinante o sono atropela a tua imagem


deusa cansada de vitrais nocturnos


indefeso


deixo irromper o pesadelo da tua ausência





o ar flutua em paragem assimétrica


a dor calcina a memória de quando em quando acordo


para beber água pelo teu retrato


fica-me a doçura da sede incompleta


lençóis banais de violetas distraída


sem colinas de seda


de costas prá noite deixo-me navegar


em castelos ardentes


à espera que os pássaros da angústia


me prendam entre duas páginas do seu perfil







abril 1984