21 de janeiro de 2014
lancinante o sono atropela a tua imagem
deusa cansada de vitrais nocturnos
indefeso
deixo irromper o pesadelo da tua ausência
o ar flutua em paragem assimétrica
a dor calcina a memória de quando em quando acordo
para beber água pelo teu retrato
fica-me a doçura da sede incompleta
lençóis banais de violetas distraída
sem colinas de seda
de costas prá noite deixo-me navegar
em castelos ardentes
à espera que os pássaros da angústia
me prendam entre duas páginas do seu perfil
abril 1984