vinha todos os dias pelo mesmo caminho à mesma hora mal rompia a manhã para lá dos montes gelados ela aparecia com uma saquinha na mão de mármore
todos os dias o outro estava ali à beira do caminho a vê-la passar à mesma hora mal o sol rompia para lá dos montes gelados
todos os dias cá deste lado eu admirava um e outro ela com uma saquinha na mão de mármore ele de mãos nos bolsos e barba por fazer
todos os dias me apetecia saltar para dentro da história para conhecer o destino daqueles passos maquinalmente cronometrados e as razões daquela espera sempre adiada
todos os dias despidos de novidade sem uma palavra sem um aceno sem um olhar disfarçado mal o sol rompia para lá dos montes gelados
um dia ela não veio
ele esperou
na manhã seguinte nenhum apareceu
a história acabou