sábado, 4 de janeiro de 2014

| José António Franco |





vejo-te morta quando te invento
ó mão quebrada no desejo intranquilo
vejo-te fogo intenso
ó mão fundamental da paciência
ténue e apaixonada
construindo meses velozes
com pérolas interiores em sobressalto
vejo-te ardente a fulminar
a loucura insondável do génio

antes fosses chuva suspensa
primavera fascinada pelo mistério
cortina de sangue
desejo
antes te visse mão armada de dilúvios

em verões de sonos tristes





fevereiro 1985









tenho o teu perfume aqui sentado
fremente alucinado
transbordante

não consigo é segurá-lo nos meus dedos
tal é o vento que sopra das minhas
mãos




fevereiro 1985