vejo-te morta quando te invento
ó mão quebrada no desejo intranquilo
vejo-te fogo intenso
ó mão fundamental da paciência
ténue e apaixonada
construindo meses velozes
com pérolas interiores em sobressalto
vejo-te ardente a fulminar
a loucura insondável do génio
antes fosses chuva suspensa
primavera fascinada pelo mistério
cortina de sangue
desejo
antes te visse mão armada de dilúvios
em verões de sonos tristes
fevereiro 1985
tenho o teu perfume aqui sentado
fremente alucinado
transbordante
não consigo é segurá-lo nos meus dedos
tal é o vento que sopra das minhas
mãos
fevereiro 1985