Uma criança acerca-se do pai. A sua mão pequena aberta cabe dentro da dele. O cabelo e as sobrancelhas escuras, feitas à sua semelhança. Segue paciente junto a si. Ele sabe que não irá longe, não o permite. Abre-lhe certos horizontes, deseja que outros lhe permaneçam fechados. A criança nunca se afasta muito. Cresce dentro de si mesma, esconde-se da vista dos seus pares. Tem personalidade forte, semelhante à sua. Quer caminhar pelo próprio pé. Luta contra si. Ele apanha-lhe a mão e desce à altura dos seus olhos para dissuadi-la. Então ela para. Permanece junto de si para que se alegre.
Começa a crescer; logo começa a criar. Procura-o para que a critique, ele permanece impassível. Pergunta-lhe se criou ou copiou. Ela aprende que a incredulidade não é necessariamente má; assume antes que é sinónimo de assombro. Permanece junto de si.
Cresce cada vez mais, esconde-se da vista dos homens. Espera uma palavra dele em particular, não qualquer uma, aquela. Já não se lamenta tanto por ser como é. Todos os outros parecem gostar. Já não procura ouvi-la, à palavra. Se a ouve da boca de um não lhe acrescenta nada porque não é aquela a palavra e não é ele quem a diz. Sabe então que não pode mudar. Houve algo que não foi dito a tempo ou que lhe foi vetado desde cedo. Está-lhe grata por a ter feito racional, ainda que discutam porque agora são parecidos demais. Nenhum tenta alcançar o outro. A luta é constante. Quando não há mais onde ir resta voltar. É agora a soma de tudo o que viveu, o que dela fizeram. O pai olha a criança mas não a encontra. Quem és, pergunta. Assemelhas-te a mim. E a mulher responde, sempre foi assim.
Cresce cada vez mais, esconde-se da vista dos homens. Espera uma palavra dele em particular, não qualquer uma, aquela. Já não se lamenta tanto por ser como é. Todos os outros parecem gostar. Já não procura ouvi-la, à palavra. Se a ouve da boca de um não lhe acrescenta nada porque não é aquela a palavra e não é ele quem a diz. Sabe então que não pode mudar. Houve algo que não foi dito a tempo ou que lhe foi vetado desde cedo. Está-lhe grata por a ter feito racional, ainda que discutam porque agora são parecidos demais. Nenhum tenta alcançar o outro. A luta é constante. Quando não há mais onde ir resta voltar. É agora a soma de tudo o que viveu, o que dela fizeram. O pai olha a criança mas não a encontra. Quem és, pergunta. Assemelhas-te a mim. E a mulher responde, sempre foi assim.