| 06 de abril de 2015 |
R$ 19.800 é o preço: da vida de Wellington Monteclaro
Um talentoso dramaturgo, cenógrafo e figurinista, 46 anos, Wellington Monteclaro está com câncer. O câncer está em metástase.
Wellington está lutando, como pode, por sua vida, e, Wellington pode pouco; como a maioria de nós, os recursos financeiros de Wellington são poucos, e, por isso, Wellington não pode ter um tratamento melhor: porque, aqui, neste mundo que criamos e sustentamos, os médicos que poderiam ajudar Wellington: não dedicam seu tempo a uma pessoa que não pode pagar, pagar caro, por seus valiosos e mercenários serviços.
Existem médicos sensíveis, nobres, existem: mas, são tão raros...
Os médicos, em sua esmagadora maioria, não olham o valor de um artista, como o artista Wellington Monteclaro, que dedicou sua vida a transmitir poesia e beleza ao mundo.
A maioria dos médicos: só se importa com o que Wellington pode pagar: os médicos não se importam com o valor da vida de qualquer pessoa, artista ou não, que não possa pagar o preço injusto e imoral que eles cobram para curar ou amenizar o sofrimento e a dor de uma pessoa.
Uma médica, falando do corpo de Wellington como se falasse do motor defeituoso de um automóvel ultrapassado, disse a Wellington que o SUS não pode lhe ajudar muito. O SUS não cobre, por exemplo, uma medicação para lhe dar uma melhor qualidade de vida, que custa R$ 19.800,00 reais cada caixa.
Médicos e indústrias farmacêuticas: que casamento infeliz, para nós: pobres pacientes tão mortais.
Os açougueiros(as), desculpem, ao tentar digitar: médicos(as), digitei, sem querer: açougueiros(as)... Isto acontece.
Bem, como eu ia dizendo, os médicos disseram que é importante, muito importante, para a vida de Wellington: que ele tome este remédio que custa R$19.800,00.
Os colegas, admiradores e amigos de Wellington Monteclaro estão organizando espetáculos, eventos, shows para arrecadar dinheiro, e, quem sabe, assim, comprar o remédio que custa R$19.800,00 e, quem sabe, com sorte: oferecer a Wellington, com justiça, um tratamento mais digno, quem sabe os amigos de Wellington consigam o dinheiro para pagar um tratamento e uma atenção mais digna: das mãos e dos olhos destes indignos: que chamamos de médicos.