terça-feira, 14 de abril de 2015

| Iris de Guimarães |

| 31  de março de 2015 |


A ferida de Josué





Sentada entre as crianças, com meu violão no colo, toquei e cantei o poema musicado de Vinícius de Moraes, As borboletas. Depois de cantar, entre os sorrisos ainda embalados pela canção, perguntei se haviam gostado da música e se queriam que eu a tocasse outra vez. Muito animados, quase todos responderam um sonoro "sim". Mas Josué, com uma seriedade muito convicta de menino de quatro anos, olhando para um pequeno arranhão numa de suas pernas, respondeu:

- Minha ferida não gostou dessa música não. Eu tô olhando aqui pra ela e ela não tá com cara de quem gostou, não.

É verdade, Josué. Como explicar que certas músicas, às vezes, tocam mesmo em nossas feridas?

Olhei com ternura para Josué e sua sensível feridinha e comecei uma outra canção.