terça-feira, 14 de abril de 2015

| Fernando Coelho |

| 31 de março de 2015 | 





Oh! São seis horas da tarde! A hora em que Maria, o meu amor, boceja cântaros de rosa. Hora em que o mar se deita para chupar os peitos da lua. Oh! Minha Maria, este é o teu pseudônimo, porque te escondo em cada aceno de açucena. Te escondo dos meus escombros. Maria, meu amor, amor escondido em borboletas de sândalo. Maria, boca de cardamomo. Te amo, tanto, que te temo. Minha adorada Maria, pseudônimo da brisa rala, orelhas de pão-de-ló com cheiro de casa de farinha. Maria suor de uva Torrontés, sexo com frescor de calêndula.Temo te amar, porque não quero te perder, não quero que te vás, mesmo que te vás sem saber do meu amor. Maria, meu barco noturno de estrelas! Maria, se te chamo, porque és a seringueira de prata, a árvore de chuvisco, os cabelos de torrentes, ora verdes, ora azuis, ora cinza, ora amarelos, ora cor de lagoa. Oh! Maria, te vejo num pé de tâmara. Te vejo em meus escritos nas rampas unhando o dia. Te vejo agora, banhando o sorriso de tarde mansa. Te amo, te quero, Maria, pseudônimo das florestas. Choro, Maria, que a noite vem e te quer para dormir. Maria, meu amor!

Eu morro quando escrevo. Morro duas vezes quando não escrevo. Acho que é melhor morrer uma vez só.

Alguns amores vieram, num piscar do sonho, desfaleceram em lençóis de algodão repletos de vontades e manchas imperceptíveis. E deixaram tudo ir embora com eles. Outros, mais acostumados às torrentes dos reencontros, vieram, tomaram posse de tudo, quebraram, sujaram a primavera, desfolharam as cores e sumiram. Um, apenas um, chegou num dia claro, parecendo um sonho. Não falou. Não bateu na porta. Não me chamou. Não escreveu sequer um bilhete. Este, me varou de paixão, me ensinou o alfabeto da saudade sem letras, permaneceu, me abriu portas que nem existiam. Estou vivo por causa deste amor. E só.