Meu aniversário e o eclipse do amor
Hoje pela manhã, com um sorriso meigo e desconfiado no rosto, Marcelinho me pediu uma folha de ofício. Assim que eu lhe dei, ele correu para o quarto. Fiquei na sala observando ele pegar sua maleta de lápis de cor e imaginei que ele fosse fazer mais um de seus desenhos... Depois de um tempo, ele veio em minha direção, pediu que eu fechasse os olhos e me disse:
- Mainha, eu fiz um presente pra tu. Olha, é um cartão de aniversário!
A folha estava dobrada ao meio. Quando eu abri, estava escrito o nome “Marcelo” e, ao lado do seu nome, tinha um desenho engraçado de dois bonequinhos de mãos dadas que, para ele, representava nós dois . Mas, quando eu abri o cartão, ele logo me repreendeu:
- Espera mainha, antes de abrir você tem que ver o título. É um poema que eu fiz pra você. Eu vou ler...
E, em meio a letras e números embaralhados, Marcelo leu meu poema, o poema que ele mesmo fez para mim:
“Teu filho é teus olhos, teus olhos é teu filho
Quando o Sol chega, a Lua vem”
Quando ele terminou, eu olhei para o meu filho, olhei para os meus olhos pelos seus olhinhos, e agradeci às Divindades, por ter ganhado, logo no começo do dia, um “eclipse” de amor...
