terça-feira, 17 de março de 2015

| Fernando Coelho |

| 03 de março de 2015 | 




Tuas digitais, espremidas de vinhas molhadas, sufocadas de rubro, estarrecidas de fogo lívido e sombras prostituídas da noite, agarram-se a meu corpo, furiosas como espias enfraquecidas no mar alto, profundas, imitando flores amarelas queimadas de esquecimento, interpretando memórias e melodias rompidas de cal, impurificadas de um momento de sonho. Ah! Este amor fatal e invertebrado, de algas e claves de sol! Galeria de esculturas de mel e sangue, esculturas quase derretidas, sinônimos de gestos, graves arpões de mãos, tuas digitais me dedilham como a um tronco decaído e sem compaixão. Espicho-me, inverossímil, apenas pó de implacável lembrança. Ah! A dor imaculada desta ternura manchada de eucaliptos! Dançam as tuas digitais em minha solerte boca sem patrimônio, apenas imitando passos de pássaros dourados. São respiros de relâmpagos a alumiarem o meu destino incorrigível, de rocha perdida e pendida nas fissuras de um amor preso a arvoredos de adeus. Ah! Como te amo. Como dói tanto te dizer, tanto te gritar, tanto de sonhar! Ah! Que te amo tanto!!!. E só.