| 20 de janeiro de 2014 |
"Se eu soubesse que ia ser assim"
Hoje, enquanto eu aguardava minha vez na fila do supermercado, uma senhora que estava atrás de mim, começou a cantar uma velha e conhecida música do meu coração: “Se eu soubesse que ia ser assim, tudo por nada. E confesso que acreditei em meias verdades. Você nunca me disse te amo, mas também não disse que não. Enquanto eu fazia tantos planos que você nunca vai saber, nunca vai saber...”.
Enquanto ela cantava, sozinha e meio desafinada, alheia a mim e a todos que estavam a nossa volta, disfarcei um leve sorriso e lembrei com ternura dos meus 11 anos de idade. Como não tínhamos televisão em casa, todos os dias, às 20h, eu corria para a casa da vizinha, esperando ansiosa para ouvir a voz do cantor Paulo Ricardo cantando o tema de abertura de uma das telenovelas da época: “Se eu soubesse que ia ser assim, tudo por nada...”. Enquanto ele cantava, eu e minhas duas melhores amigas, suspirávamos apaixonadas pelo mesmo menino, outro vizinho que morava no fim da rua, e juntas fazíamos planos que até hoje acho que ele não sabe...
Envolvida nas minhas recordações da infância, nem me dei conta que havia chegado a minha vez na fila, a não ser quando a mesma senhora tocou meu braço apontando para o caixa. Paguei minhas compras, segurei minhas sacolas e caminhei para casa pensando nas minhas velhas e conhecidas dores de amor, pensando no que eu teria feito, “Se eu soubesse que ia ser assim...”, todas as vezes que me apaixonei e sofri por amor.
Bem, não precisei pensar muito, pois, no instante que olhei para minha vida e me imaginei sem cada uma das belas histórias de amor que vivi; no instante que pensei no meu corpo sem cada uma das minhas cicatrizes, logo tive a certeza que mesmo “Se eu soubesse que ia ser assim...” teria feito tudo, tudo outra vez...