terça-feira, 6 de janeiro de 2015

| Marcos Cesário |

| 23 de dezembro de 2014 |









Acho que quando eu tinha uns dez a doze anos, é que comecei com um certo entusiasmo, inocente, a sonhar com meus dezoito anos. Eu pensava: “Quando eu tiver dezoito anos, vou ser maior de idade: ninguém vai me impedir de fazer o que eu quiser fazer!” ...  Lembro deste entusiasmo juvenil,  de vez em quando, e fico rindo sozinho...

Os dezoitos anos chegaram rápido e, aqui estou eu, quase quarentão, aprendendo ainda como lidar com toda a responsabilidade que a liberdade, que eu tanto sonhava antes dos dezoito anos, exige, até hoje, de mim...

Mas, hoje, você, Luádia, filha, você:  está fazendo dezoito anos...

Ontem, nos encontramos de novo e estávamos conversando sobre sua vida, seu curso de psicologia: rindo dos disparates de alguns dos seus professores, estávamos falando do amor, falando do que sou como pai, de como você é como filha, sempre delicada, consciente e linda: só não falamos dos seus dezoito anos...

Mas, talvez não precisemos mesmo falar das suas responsabilidades de menina mulher de dezoito anos. Você mudou pouca coisa, Lua, você é o que sempre foi: tão séria. Tão lúcida. Tão corajosa. Às vezes, filha, acho que uma parte de você já nasceu adulta...

Filha, estou aqui, quase quarentão, escrevendo um bilhete para você para te agradecer por me dar, todos os dias, o privilégio de ser seu pai, mesmo que tantas vezes, por culpa das ausências de seu pai, estivemos distantes um do outro...Te agradecer, filha, pelo privilégio de ser teu pai, de ser chamado de pai, de ser olhado e reconhecido por teus olhos, como teu pai, de ser abraçado e amado como teu amigo, como teu pai e, ser abraçado e recebido nos teus braços: como teu filho...

Luádia, filha: amo você.