terça-feira, 20 de janeiro de 2015

| Maisa Antunes |

|06 de janeiro de 2015 | 


Carta ao poeta




Naquela tarde leu e releu “Vésperas tardias” e ficou engasgada de vésperas. Era uma tarde tardia também assim como nos versos do poeta. Releu de pé para que os versos alcançassem mais rapidamente as extremidades do seu corpo. Depois se sentou a ruminar aquelas palavras e escreveu uma carta:

Poeta, estou engasgada de vésperas, nesta tarde tão tardia, seguro-me com força delicada nos teus versos, tão meus. Choro, porque também tenho um "punhado de estrelas" nas mãos.

Olha! Encontrei uma praça, nela tem espalhados alguns pedaços de giz, podemos desenhar uma amarelinha para brincarmos.

O mundo é pequeno poeta, por isso avistei-te perto dos ventos; estavas "debruçado no rochedo" a "mastigar abismo" e a dizer: Eu não sabia que o Tempo era o Anjo. Eu também não sabia Poeta.