“Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti”. Agostinho de Hipona, antes de morrer no ano de 430, ensinou. Era teólogo, uma inteligência para o cristianismo. Para mim, uma inteligência, apenas. Não tenho, por vocação, afinidades com a teologia em si, mas grandes pensadores são essenciais. É hora de pensar em Deus? É hora de rezar? Olhar uma criança com fome, no fundo dos olhos, é mergulhar em algum lugar onde Deus está? Ver uma criança chorar porque divide o casebre com ratos é o trivial em todos os países pobres do mundo, incluso, evidentemente, o Brasil. Qual a verdade do coração? O medo ou a moda? A tecnologia ou a tecnocracia? A grana ou a simplicidade? A ostentação, o crime, ou a dignidade e a esperança? Que qualidade de verdade nós carregamos na alma? Um bando, louco, depravado, de gente de carne e osso, (não foi um exército de extraterrestres com os quais Orson Wells apavorou os americanos, no dia 30 de outubro de 1938, quando o seu programa de rádio simulou uma invasão marciana pela costa Leste dos Estados Unidos, apenas para que a CBS batesse a audiência da concorrente, a NBC), assassinou mais de 100 crianças em Peshawar, na boca da ceia de Natal. Devoramos sangue de inocentes. A humanidade bate na cara dela própria. Os genocídios de Ruanda representam o quê? Os massacres na Faixa de Gaza significam o quê? O extermínio da vida, nos 10 países mais pobres do mundo, todos africanos, é em nome de quem? Libéria, Burundi, o Congo, ambiente de atrocidades e violências indescritíveis, Eritréia, esbanjam desgraças, misérias deploráveis, diante dos olhos complacentes das chamadas Nações Unidas que somos nós. Por quê? Mulheres condenadas à prisão em países muçulmanos porque falam, porque dirigem automóveis, porque estudam, porque querem tirar véus da cabeça, significa o quê? Os mesmos países, moralmente amorais, forçam casamentos de crianças. Isso é o quê? As religiões, uma a uma, faliram. O que nasceu há 2014 anos foi confundido com bandido e depois usado pelas religiões que se apossaram de sua imagem. O homem matou Cristo. Por uma razão simples: como ele veio trazer a clareza de uma nova civilização, os velhos, os dogmáticos, os que têm e tinham medo do novo, como até hoje, preferiram fuzilá-lo. Primeiro, com a ignorância, a intolerância e a humilhação. Depois, com uma estocada no peito. Ditadores, detentores do poder, representantes das oligarquias, os maiores investidores financeiros do mundo, com explicações na ponta da língua justificando as inconsequências de sol a sol. Apenas pergunto, a quem recorrer nesta época de desmoronamento social e humano do planeta?