25 de novembro de 2014
Jean Wyllys: isto não transmite amor...
Certa vez, quando assistia, horrorizado, as trocas de insultos e calúnias entre fundamentalistas evangélicos e militantes gays, escrevi um texto, “Os militantes e o Amor”, em que eu tentava demonstrar, com facilidade, que aquilo que eles mais diziam que lutavam a favor: era exatamente aquilo que eles eram incapazes de demonstrar: respeito às diferenças, capacidade de conciliação e amor...
Naquela altura, eu disse que achava, boa parte do falatório de Marco Feliciano, o que é fácil perceber, fascista. E, que achava que o deputado Jean Wyllys, pelo menos na forma que dizia e no que dizia as coisas, coerente e lúcido.
Agora a pouco, eu estava passeando pelo facebook e encontrei, na página de uma conhecida, um texto de Jean Wyllys, datado de 25 de outubro de 2014, compartilhado direto da página virtual do deputado, no facebook. Fiquei assustado! Ele, o deputado Jean Wyllys, tinha escrito um texto falando do fundamentalismo religioso e usou, para ilustrar sua posição aparentemente conciliadora, uma charge de Carlos Latuff, uma imagem extremamente fundamentalista, em que, três homens, mal encarados e evangélicos, usam a bíblia para espancar, matar, um homem que está caído e ensanguentado, no chão, e veste o símbolo da luta LGBT, uma blusa-bandeira arco-íris; estendido e indefeso, o gay é espancado cruelmente por evangélicos-vilões...
Jean Wyllys, você está fazendo uma bela campanha contra as difamações que você vem sofrendo: Jean, esta charge que você postou, tem o mesmo efeito das covardias que você vem sofrendo: ao tentarem te rotular de perverso, alienado e injusto. Jean Wyllys, nem todo evangélico é, como alguns, só alguns, gays são: difamadores, deselegantes, injustos e fundamentalistas. Jean, a charge que você usou, mostra um livro sagrado para os evangélicos, os cristãos - a bíblia, sendo usada como uma arma mortal para atacar os indefesos... Jean, esta charge, fundamentalista, não revela e não dá espaço para uma interpretação mais justa dos cristãos, que também combatem todo tipo de fundamentalismo: os mesmos cristãos que lutam, dia a dia, por esta mesma conciliação que seus discursos, aparentemente, defendem.
Jean, eu fui criado em um lar evangélico: bem sei das hipocrisias e confusões que alguns vivem e pregam. Meu padrasto mesmo, era um destes hipócritas que pregava o amor que não conhecia e não vivia. Bem sei... Jean, eu sofri com isto.
Mas, minha mãe, sempre amorosa, cuidadosa, não era assim: com minha mãe, aprendi a respeitar e a amar as diferenças e a amar até quem, aparentemente, não merecia ser amado...
Como minha mãe, existem muitos evangélicos que não são fundamentalistas e que acreditam no respeito e no amor: mesmo com aquilo que eles discordam. Assim como, existem, e não são poucos, gays que se preocupam muito mais em agredir e difamar os cristãos, do que avaliar e tentar amenizar e conciliar as diferenças. Esta charge que você postou para ilustrar seu texto: não transmite esta outra parcela dos evangélicos. E, ainda por cima: leva facilmente à incompreensão e ao ódio.
Jean Wyllys, espero que você continue defendendo a coerência, a lucidez... E, espero, que você continue defendendo a justiça: com mais coerência, menos ignorância, mais respeito e, com mais amor...
