terça-feira, 28 de outubro de 2014

| Pedro Sá |





Pelas fendas de minha janela chega
a luz de um céu recém-nascido.
O dia nasceu aos poucos, ainda dormia,
mas agora ouço os pássaros circulando lá fora,
as nuvens gotejando a claridade do dia.

Deitado em minha cama,
penso nos homens que não acordarão mais.
Penso nos homens que não reencontrarão
essa fome, essa sede matutina que me compõe.

Não, a morte não pode roubar-me uma vida inteira,
ela na verdade não existe... Eu não a tenho...

O que tenho é essa luz que me ergue da cama,
a claridade única de um único dia.