05 de outubro de 2014
Não vou votar hoje: não acho isto nem bom, nem ruim.
A questão é que não recadastrei meu título de eleitor e por
isto perdi o direito, desta vez, de ir às urnas e votar nos candidatos menos
canalhas.
Com um certo tédio e desgosto, devo assumir, que poucas
vezes votei sabendo que estava votando no melhor candidato: na maioria das
vezes, eu tentei intuir qual era o menos hipócrita...E, sem muito ânimo,
votava.
Eu estava aqui, relendo o que Albert Camus escreveu em um
dos seus Cadernos, em agosto de 1937, e gostaria de compartilhar: “Sempre que
escuto um discurso político ou que leio aqueles dos que nos governam, fico
impressionado com o fato de, depois de anos, não ouvir nada que traduza um som
humano. São sempre as mesmas palavras que dizem as mesmas mentiras. E que os
homens se acomodem, que a raiva do povo ainda não tenha derrubado os marionetes,
eu vejo nisso a prova de que os homens não dão importância ao seu governo e que
eles brincam, sim, realmente brincam com uma parte de suas vidas e de seus
interesses supostamente vitais”.
Camus: disse uma parte da verdade...