08 de julho de 2014
Cheguei de viagem, tirei as botas e as deixei ali mesmo na porta de casa. Tirei a roupa e fui tomar um demorado banho e deixei a água lavar o que podia lavar de meu corpo e de minha alma.
Vesti outra roupa, comi alguma coisa e voltei para a porta da casa para calçar, de novo, as botas que me levaram, mais uma vez, para tantos lugares, as mesmas botas que me trouxeram de volta para casa.
E, pela primeira vez, olhei para minhas botas, ali, na porta de minha casa e desconfiei que elas, as botas, estavam cansadas...
Por um momento fiquei em dúvida se eu devia ou não calçar, mais uma vez, aquelas botas. Fiquei com certas dúvidas que aquelas botas poderiam mais uma vez alcançar os passos que eu ainda quero e devo caminhar.
Olhei por um tempo aquele par de botas aparentemente cansadas...
Como elas, as botas, não me disseram nada eu calcei de novo aquelas botas cansadas e voltamos: meus pés, aquelas botas e eu para os tantos caminhos que os caminhos de minha vida ainda me oferecem.
