terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

| Pedro Sá |

04 de fevereiro de 2014





Faz alguns dias que minha sobrinha Emily começou a escrever poemas e veio à minha casa saber o que era preciso fazer para melhorar seus versos... Emily tem oito anos, e entre as delicadas frases que li de sua infantil e terna caligrafia gostei desta:

“Flor do sol, arco-íris que brilha sobre o céu”.

Enquanto conversávamos, lhe disse que estava indo muito bem e que era preciso continuar a escrever e reescrever, e antes de terminarmos nossa conversa também lhe aconselhei a andar com um caderninho sempre à mão:

- Assim, caso você imagine algum poema você não corre o risco de esquecê-lo.

A sua resposta veio rápido:

-Mas, quando eu esqueço eu lembro melhor.

Disse-me isso e depois voltou para casa. Mas, sua resposta tão simples e rápida me deixou com longas perguntas... Quantas coisas esqueci para lembrar melhor de outras? Quantas vezes é preciso esquecer uma parte das pessoas, para poder lembrar melhor delas e de nós mesmos? Quantas vezes esquecer uma parte da vida ajuda a nos lembrar de viver as outras?

Não sei se com o tempo Emily continuará escrevendo, mas, caso ela não continue, espero que siga acreditando na resposta que me deu, pois na poesia como também na vida, às vezes, é mesmo preciso esquecer para lembrar melhor.