sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

| Pedro Sá |


 
Foi na igreja protestante que passei a maior parte dos primeiros anos de minha vida. No decorrer desse tempo ouvi muitas vezes exortações sobre Salmos, Provérbios e outros livros bíblicos, com exceção dos Cânticos de Salomão, cuja leitura havia sido proibida pelo pastor que considerava ilícito afirmar: as carícias de uma mulher são mais agradáveis que o vinho, seus lábios gotejam doçura e seus seios inspiram a paz. 

Ainda assim, nas muitas vezes em que costumava ler por conta própria esse belo poema de amor, não me sentia pecando, talvez porque sentisse que pecar por ler a Bíblia era o mesmo que pecar com a aprovação de Deus... Já faz alguns anos que não vou à igreja, mas essa sensação de pecar com a aprovação de Deus, de certo modo, nunca deixou de me acompanhar.