Foi na igreja
protestante que passei a maior parte dos primeiros anos de minha vida. No
decorrer desse tempo ouvi muitas vezes exortações sobre Salmos, Provérbios e
outros livros bíblicos, com exceção dos Cânticos de Salomão, cuja leitura havia
sido proibida pelo pastor que considerava ilícito afirmar: as carícias de uma mulher são mais agradáveis que o vinho, seus lábios
gotejam doçura e seus seios inspiram a paz.
Ainda assim, nas
muitas vezes em que costumava ler por conta própria esse belo poema de amor,
não me sentia pecando, talvez porque sentisse que pecar por ler a Bíblia era o
mesmo que pecar com a aprovação de Deus... Já faz alguns anos que não vou à
igreja, mas essa sensação de pecar com a aprovação de Deus, de certo modo, nunca
deixou de me acompanhar.