Eu voltava
à cidade de Senhor do Bonfim na companhia de uma amiga. Estávamos sentados na
rodoviária de Jaguarari, cidade vizinha, e enquanto esperávamos por nosso
ônibus que chegaria um tanto atrasado, conversávamos sobre alguns assuntos terrenos
e extraterrenos, pois em toda parte se tem falado e ontem mesmo vi em uma
reportagem do jornal local que em Senhor do Bonfim, na serra do Gado Bravo,
perto do entardecer, o senhor Raimundo Nonato foi abordado por um objeto voador
não identificado. Ainda que ele não estivesse sozinho no momento e o amigo que
lhe acompanhava, embora assustado, tenha conseguido tirar algumas fotos do OVINI
que agora voa de boato a boato entre a população, há quem duvide e não acredite
no acontecido.
Mas, espere um minuto, nosso ônibus acabou de
chegar... Vamos entrando e então minha amiga me conduz e me apresenta a ele, ao
senhor Raimundo Nonato, que por coincidência ou por alguma força extraterrena, está
sentado na poltrona ao lado da nossa e passará o pequeno período da viajem nos
contando um pouco de sua experiência. A viagem é curta, mas o pouco tempo que
conversamos foi o suficiente para que pudéssemos entender, com mais cuidado, os
detalhes desse fenômeno que não escreverei nessa crônica por não me achar no
direito de fazê-lo, já que foram compartilhados de forma íntima por uma voz
sigilosa e discreta.
Mas é
evidente que darei a resposta, a resposta à pergunta que eu mesmo me fiz
enquanto ouvia Raimundo. Acredito que ele e o amigo que lhe acompanhava na
subida da serra tenham sido de fato, abordados por um OVINI.
Acho
naturalmente possível que exista vida fora da terra e não me assusto comigo
mesmo, pois levo uma crença que me parece, às vezes, muito mais estranha. Se mesmo
depois de assistir aos fenômenos humanos, guerra, miséria, inveja, estupidez, ressentimento...
se mesmo depois de ver tanto desamor entre nós e no modo como tratamos o planeta,
ainda consigo acreditar na vida aqui na terra, não me será tão difícil
acreditar que exista fora dela.
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