sábado, 4 de janeiro de 2014

| José António Franco |





era uma vez uma voz que nunca se ouvia

vivia nem eu sei onde mas o que importa é que acontecesse o que acontecesse a tal voz era o silêncio total ninguém a ouvia nem sequer se sabia da sua existência a não ser eu que todos os dias a via cá de fora sempre muda como as nuvens e insignificante como uma vela sobre o oceano

um dia veio alguém que deu corpo à voz e a voz gostou de se ouvir e de ouvir as outras vozes

e todas as vozes viviam felizes

mas lentamente aquela voz que primeiro fora muda e invisível começou a gostar mais de se ouvir do que ouvir as outras vozes e de repente havia muitas vozes que não se ouviam e até agora ainda ninguém apareceu para lhes dar corpo e vontade

podia continuar esta história por muitas páginas mas nem mesmo assim lhe acharia sentido

com a pele não se mudam os costumes que é o mesmo que esta vida são dois dias e quem não tem pé não dá coice