sábado, 4 de janeiro de 2014

| José António Franco |




escrevo sempre que respiro o teu sabor irrequieto

esqueço as marés abruptas da loucura
no silêncio escancarado da tua boca
pequenina

fevereiro 1985




sou um deus
que murmura trevas
inventa pecados
cria desassossego no gume da vertigem
vive disfarçado de coisas que sofre

sou um deus
de gozo pérfido
de ser deus


abril de 1984






tinha olhos que mentem quando chora
quando sorriem
matam


fevereiro de 1982





há em mim um ser terrível que me rejeita
uma fera monstruosa e subtil
sensual
quase pura

rude e sincero
não reconhece a máscara
que suja a rua
e na febre das ondas constrói
romarias

um ser que ama
e destrói o sonho



julho 1981