escrevo sempre que respiro o teu sabor irrequieto
esqueço as marés abruptas da loucura
no silêncio escancarado da tua boca
pequenina
fevereiro 1985
sou um deus
que murmura trevas
inventa pecados
cria desassossego no gume da vertigem
vive disfarçado de coisas que sofre
sou um deus
de gozo pérfido
de ser deus
abril de 1984
tinha olhos que mentem quando chora
quando sorriem
matam
fevereiro de 1982
há em mim um ser terrível que me rejeita
uma fera monstruosa e subtil
sensual
quase pura
rude e sincero
não reconhece a máscara
que suja a rua
e na febre das ondas constrói
romarias
um ser que ama
e destrói o sonho
julho 1981