sábado, 4 de janeiro de 2014

| José António Franco |





a coisa não era verdadeiramente preta mas fosse qual fosse a perspectiva ela aparecia sempre com aquele tom de cerros em noite de lua nova e quem a conhecia habituara-se a ela assim tal como ao sol a deitar-se sempre para o mesmo lado

até aqui nada de anormal

um dia o adilcácio mais conhecido pelo homem grande resolveu atirar-se à coisa para obter dela tudo o que fosse possível o que é normal sobretudo se atendermos à coisa em si e ao poder caprichoso e à vaidade do adilcácio

começaram então a aparecer notícias nos órgãos de informação referindo-se à coisa como sendo imaginem lá bem maravilhosamente branca o que continua a não ser anormal se atendermos ao facto de muitos habitantes da terra andarem obcecados pelas cores claras

o que é certo é que nunca mais a coisa foi referida como escura e até nem é de estranhar

o pior é que aliando a ancestral arrogância com o encanto bem ensaiado o adilcácio já começou a dizer que os habitantes da terra são animais de estimação delicadíssimos e eles já começaram a dar sinais de lhe quererem ir comer à mão mas não já tantas as coisas claras que ele vai trocando por comida que a terra até parece um circo enorme com um numeroso único e exclusivo da responsabilidade de um notável domador vindo da estranja


não era nada disto que eu tinha para vos contar mas já que está dito está dito