era uma vez um povo muito rabugento mas com muito bom coração uma vez era também um senhor que disse assim ao povo ó povo tu estás sempre a protestar mas vistas bem as coisas tu não tens nada que protestar se pudesses compreender o esforço que fazemos para te trazer assim limpinho e de barriga tranquila se soubesses o quanto padecemos para te tratar bem se soubesses as insónias que sofremos para que possas dormir descansado se tu soubesses tudo quanto fazemos por ti a pensar em ti e só em ti decerto não terias coragem para nos arreliar e dar tanto trabalho
mais tarde outro senhor que também era uma vez encontrou o povo com refilices e palavrões indecentes e falou-lhe deste modo como te deixaste chegar a este ponto bom povo porque tu és realmente bom sabias e ninguém acredita que eu te considero o melhor povo do mundo mas eu gostava que tu realmente me levasses a sério eu quero tanto ser teu amigo o teu melhor amigo e confidente mas tu com essa má disposição crónica afastas de ti qualquer ser humano e é pena porque há tanta gente com pena de ti disposta a fazer sacrifícios por ti só para ti e a pensar em ti e só em ti
o povo no entanto mantinha a rabugem e o seu bom coração e outros senhores foram aparecendo fazendo discursos e confessando ao povo o carinho especial que por ele sentiam mas o povo não modificava a sua maneira ingénua de ser grosseira e sensível
um dia apareceu um senhor muito mal vestido e a falar sozinho depois começou a cantar esta cantiga os ditadores são como os nenúfares quanto mais pesados mais depressa se afundam
e o povo a refilar mas sempre com muito bom coração gritou a minha lógica é minha e só minha e perdeu a paciência
foi nessa altura que apareceu um homem muito suado e energúmeno com cara muito energúmena de punhos e sapatos em riste a berrar comigo para que é que estás aí a falar mal do povo anda cá para dentro da história que eu dou-te o arroz
e eu acabo já aqui a história que é sempre mau o caldo que muita gente tempera mas antes vai a moralidade
a cada porco a sua porcaria