terça-feira, 28 de abril de 2015

| José António Franco |

| 14  de abril de 2015 | 





percorro o rio que nasce nos teus ombros
e em nuvens de prata difusa resplandece
— ou será a lua num festim de perfumes
tambores rufando numa prece

perplexas minhas mãos desfraldam palavras
emudecidas na madrugada dos teus cabelos
— ou será o tempo adejando sossegos
mistérios deflagrando pelos caminhos em novelos

percorro-o na urgência de ti
teu nome silenciado como um segredo
— apenas pássaros e flores exalando lumes
nas margens submersas onde nasci

escuto agora as quedas de água
minuciosas fragrâncias claras e doces
e tu de novo mulher inteira um rio
de luz despenhando-se nos meus braços



13.4.2015