segunda-feira, 9 de março de 2015

| Maisa Antunes |

| 09 de março de 2015 |



Estranhos dias à janela – de Mário Branquinho



Estranhos dias à janela dá a ideia de abertura, uma abertura desafiadora, porque é preciso vencer o desafio de olhar sem culpa, e a astúcia de perceber uma saída aventureira, uma saída que quebra convenções [no sair], torna-se preciso arriscar um pulo para sair, ou arriscar-se assumindo outros papéis para olhar, para olhar-se, e encontrar este estranho que há em nós.

O livro traz a perspectiva de estar na fronteira entre o distante e o íntimo. Estranhos dias à janela contempla o fora para ver o que estar dentro. O ritmo das palavras com seus enunciados trazem os contrários sem estabelecer dicotomias, mas a sensação de incompletudes, de complementaridades – quem é o outro que vejo? Eu próprio? E assim se torna um exercício de reflexos, um espelho.

É a janela do inesperado, e da espera paciente...

Estranhos dias à janela – Uma janela que abre fendas na memória para acessar as distâncias, com intimidade, e assim nos leva ao poema pessoano “navegar é preciso viver não é preciso”.

De cada janela em diferentes lugares do mundo: ruminações de perguntas, de questões de todos nós, respostas internas que generosamente inclui o outro, do outro lado da janela.
Estranhos dias à janela é uma janela ampla que se transforma em varanda e nos oferece um lugar para sentar... para tirarmos “a pedra do sapato” e arrumarmos o pensamento.

Estranhos dias à janela convoca filósofos/poetas que através da perfeição literária e poética expõem a imperfeição humana. E assim este livro nos coloca na ciranda da vida, trazendo as reflexões de quem somos e as ilusões que nos salvam.


Uma janela que é retrato, e sendo retrato revela-se também um auto-retrato. Assim este livro parece uma autobiografia de todos nós, digo, de cada um de nós.