27 de novembro de 2014
Ontem, numa cidade interiorana, vizinha à minha, uma esposa,
suspeitando que seu marido lhe deixaria por uma amante: trancou sua filha
pequena no quarto, atirou no marido e, depois de escrever uma carta para a
família: se suicidou...
Na carta, ela pede à família que pague suas dívidas e diz
onde está o dinheiro para pagar o
enterro dela e do marido. Pede à família que cuide da filhinha e pede perdão à
filha e aos familiares pelo ato de desespero.
Na carta, escrita em uma folha de caderno escolar, depois de
matar o marido, ela insiste em esclarecer: “Quero pedir perdão a todos pelo ato
de desespero. Mas se eu não podia ficar sem ele, ela também não”… “Ela destruiu
meu casamento mais com ele, ela não fica” ... “Pequei pela língua e boca agora
vou calá-la de vez”... “Fiquem com Deus, adeus”...
Depois de tantos anos observando, ouvindo, vendo e vivendo,
com atenção e curiosidade as variações, desníveis e perigos da palavra amor, coisas
como estas me entristecem, mas, infelizmente, já não me surpreendem...
Oscar Wilde sabia o que dizia: “O homem é uma infinidade de
coisas: mas, não é racional”.