quinta-feira, 27 de novembro de 2014

| Marcos Cesário |

27 de novembro de 2014






Ontem, numa cidade interiorana, vizinha à minha, uma esposa, suspeitando que seu marido lhe deixaria por uma amante: trancou sua filha pequena no quarto, atirou no marido e, depois de escrever uma carta para a família: se suicidou...

Na carta, ela pede à família que pague suas dívidas e diz onde está o dinheiro para  pagar o enterro dela e do marido. Pede à família que cuide da filhinha e pede perdão à filha e aos familiares pelo ato de desespero.

Na carta, escrita em uma folha de caderno escolar, depois de matar o marido, ela insiste em esclarecer: “Quero pedir perdão a todos pelo ato de desespero. Mas se eu não podia ficar sem ele, ela também não”… “Ela destruiu meu casamento mais com ele, ela não fica” ... “Pequei pela língua e boca agora vou calá-la de vez”... “Fiquem com Deus, adeus”...

Depois de tantos anos observando, ouvindo, vendo e vivendo, com atenção e curiosidade as variações, desníveis e perigos da palavra amor, coisas como estas me entristecem, mas, infelizmente, já não me surpreendem...


Oscar Wilde sabia o que dizia: “O homem é uma infinidade de coisas: mas, não é racional”.