terça-feira, 11 de novembro de 2014

| Marcos Cesário |

 


Na casa e na alma de Normeide







Estávamos, Carol e eu, na cozinha da casa de Normeide e Denival conversando sobre a Vida, e sobre a vida da dona da casa que se transformou há mais ou menos uma ano quando Normeide descobriu que tinha câncer no sangue. Depois de mais de oito ciclos de quimioterapia, Normeide nos ofereceu aquele seu sorriso limpo, aquele sorriso sereno e consciente de quem tem que nascer todos os dias... Normeide tem chorado e sofrido muito, mas não se intimida com a dor: “A dor já não me surpreende”. Ela disse isso para mim, para ela mesma e para a dor.

Desde que descobriu a doença, Normeide, de 26 anos, teve de parar de trabalhar, trancou o curso de História na universidade, trancou e adiou muitos dos seus desejos e planos. Mas, Normeide não trancou sua alma fora de sua esperança.

Hoje, Normeide estava muito feliz, preparando o almoço para nós e fazendo aquelas tarefas simples da casa, da dona da casa. Dessa forma, Normeide vai tomando pouco a pouco as tarefas mais simples da sua casa, do seu cotidiano, de sua vida. Normeide vai tomando de volta a vida que liga sua vida à vida de seu marido Denival, de sua mãe, de suas irmãs, de seus amigos e amigas. Normeide vai se tornando Normeide de novo.

Normeide está orando para que o transplante dê certo. Sua irmã de 28 anos, que tem Síndrome de Down, Carminha, também está contente e ansiosa para que o dia da doação chegue logo, assim ela vai poder usar a roupa e os sapatos novos que ela comprou para o dia em que ela doará sua medula e um pouco mais de sua pureza para sua irmã Normeide.

Antes de me despedir de Normeide ela me disse: “Eu dou o melhor de mim e faço o melhor que posso”. Sim, querida Normeide, você faz o que pode e deve fazer. Quem dera todos nós fossemos assim como você...