19 de agosto de 2014
Gosto da sensação de ouvir música no rádio, me sinto atraída pelo risco de não saber qual será a próxima canção a ser tocada. É que, na maioria das vezes, acontece de tocar aquela música, aquela que carrega em cada nota uma parte da minha estória.
Ontem fui surpreendida por uma canção que me fez lembrar, com o coração apertado de saudade, de nós dois, ali, no fim do dia, sentados na varanda do nosso pequeno apartamento: ele dedilhando o violão e eu descansando entre os seus dedos...
Hoje pela manhã, tocou uma música que há muito tempo eu não ouvia, mas que, ao som dos primeiros acordes, pude ver nós dois deitados na rede, minha cabeça em seu peito, sua mão em meus cabelos, alheios às horas e entregues apenas ao balanço do nosso tempo...
Agora, enquanto escrevo esta pequena crônica, percebo que começou a tocar nossa canção, aquela que só ele e eu sabíamos que era nossa, e já faz alguns instantes que estou com as mãos suadas, imóvel, sentindo ele dançar tão longe e tão dentro de mim...