14 de agosto de 2014
Hermann Hesse nos lembrou: “Somos uno no corpo. Mas, não na
alma”.
Quantos escritores, artistas, pensadores se suicidaram ou
pensaram, ao menos uma vez, seriamente e conscientemente no suicídio? Muitos.
Certa vez, ouvi um rapaz, dizer brincando: que ele era um
suicida não praticante. Ri muito disto. Mas, achei naquele momento e ainda acho
hoje, que aquilo que ele disse, em tom de brincadeira, fazia e faz um certo
sentido: todos nós somos suicidas não praticantes, que em determinadas
circunstâncias extremas podem praticar, podemos ser levados ao suicídio.
A maioria de nós, em certas circunstâncias da vida, pode
pensar e praticar o “impensável”...
O que leva alguém a cometer suicídio? Tantas coisas.
Há uns dois meses, visitei uma mãe que perdeu seu único
filho e, passei umas duas horas ouvindo-a dizer que: “não vale mais a pena
viver!”. Pelo sim, pelo não, nestes últimos meses, a família dela não a deixa sair
de casa sozinha e muito menos, a família a deixa sozinha dentro de casa.
Houve tantas pessoas
que se suicidaram por tédio e outras porque serenamente, cansadas, não queriam
mais viver.
Como medir a natureza
humana, se somos tantos? Se somos tantas vezes levados por circunstâncias
imprevisíveis...
O filósofo Montaigne alertou: “Não vamos, somos levados como
objetos que flutuam, ora devagar, ora com violência, segundo o vento”. E nunca
sabemos em que direção o vento, a vida irá nos levar.
Falar do suicídio de alguém, com aquele ar de desdém, de
censura e de pena, é uma demonstração de ignorância espiritual. Até o ditado
popular alerta: “ninguém sabe o dia de amanhã”. Ninguém...
Uma alma: tem muitas vidas... E nossas convicções tendem a
mudar conforme as circunstâncias, a idade...
Pelo sim, pelo não, deixemos Robin Williams descansar sem os
ruídos de nossa covardia: de tanta falácia e ignorância.