quinta-feira, 14 de agosto de 2014

| Marcos Cesário |

14 de agosto de 2014








Hermann Hesse nos lembrou: “Somos uno no corpo. Mas, não na alma”.

Quantos escritores, artistas, pensadores se suicidaram ou pensaram, ao menos uma vez, seriamente e conscientemente no suicídio? Muitos.

Certa vez, ouvi um rapaz, dizer brincando: que ele era um suicida não praticante. Ri muito disto. Mas, achei naquele momento e ainda acho hoje, que aquilo que ele disse, em tom de brincadeira, fazia e faz um certo sentido: todos nós somos suicidas não praticantes, que em determinadas circunstâncias extremas podem praticar, podemos ser levados ao suicídio.

A maioria de nós, em certas circunstâncias da vida, pode pensar e praticar o “impensável”...

O que leva alguém a cometer suicídio? Tantas coisas.

Há uns dois meses, visitei uma mãe que perdeu seu único filho e, passei umas duas horas ouvindo-a dizer que: “não vale mais a pena viver!”. Pelo sim, pelo não, nestes últimos meses, a família dela não a deixa sair de casa sozinha e muito menos, a família a deixa sozinha dentro de casa.

 Houve tantas pessoas que se suicidaram por tédio e outras porque serenamente, cansadas, não queriam mais viver.

 Como medir a natureza humana, se somos tantos? Se somos tantas vezes levados por circunstâncias imprevisíveis...

O filósofo Montaigne alertou: “Não vamos, somos levados como objetos que flutuam, ora devagar, ora com violência, segundo o vento”. E nunca sabemos em que direção o vento, a vida irá nos levar.

Falar do suicídio de alguém, com aquele ar de desdém, de censura e de pena, é uma demonstração de ignorância espiritual. Até o ditado popular alerta: “ninguém sabe o dia de amanhã”. Ninguém...

Uma alma: tem muitas vidas... E nossas convicções tendem a mudar conforme as circunstâncias, a idade...

Pelo sim, pelo não, deixemos Robin Williams descansar sem os ruídos de nossa covardia: de tanta falácia e ignorância.