segunda-feira, 14 de abril de 2014

| Marcos Cesário |

09 de abril de 2014












Agora mesmo estava repetindo para mim mesmo o que Exupéry expressou por todos nós: “O morto só morrerá amanhã, quando vier o silêncio”. E mais uma vez Exupéry alcançou uma das verdades da morte no coração dos vivos, dos que ficam...

Hyezza, você tem a idade de minha filha mais velha, e, foi por meio dela que te conheci. Quando quase por acaso soube por aqui mesmo, no facebook, na página de Paulo Machado,  da morte de seu pai,  Rudi, que,  mesmo de uma certa distância sempre guardei, e ainda guardo, uma admiração sincera por tudo o que ele, seu pai, fez para fazer da vida das crianças deficientes e de suas famílias, uma vida mais digna e mais fácil de ser vivida. Quando penso nestes gestos cotidianos de compaixão e amor aos outros, digo para mim mesmo com convicção que a vida de Rudi, que a vida de seu pai, valeu a pena.

Hyezza, você ainda é muito nova, mas já sabe que a morte é uma das poucas certezas que temos, mesmo tendo tão poucas certezas sobre o que é a morte. Nós que mal sabemos em que direção nos leva nossa própria vida...

Agora, aqui mesmo no facebook acabei de encontrar estes teus versos: “Quando criança dormia em seu peito e acordava na cama. Hoje, durmo e acordo sozinha, mas sonho com seu peito.”. Sim Hyezza, é assim que ainda hoje, depois de mais de 12 anos do falecimento de minha mãe, ainda durmo e acordo no colo de minha mãe, dentro de mim, dentro do meu olhar e do meu peito...

Hyezza, lhe abraço como posso através destas palavras e, por favor, abrace com a mesma franqueza sua mãe, sua irmã, seus irmãos, sua família...

Hyezza, abra a janela daquele seu atento olhar e veja: a vida está aí. Viva sua dor. É um direito seu. Mas, não se esqueça de viver e de cumprir sua vida com a mesma verdade que seu pai cumpriu a dele e que com toda certeza ele, seu pai, queria que você também cumprisse a sua...


Hyezza, por meio deste bilhete te ofereço o meu olhar de compreensão, franqueza e ternura.