09 de abril de 2014
Agora mesmo estava repetindo para
mim mesmo o que Exupéry expressou por todos nós: “O morto só morrerá amanhã, quando
vier o silêncio”. E mais uma vez Exupéry alcançou uma das verdades da morte no
coração dos vivos, dos que ficam...
Hyezza, você tem a idade de minha
filha mais velha, e, foi por meio dela que te conheci. Quando quase por acaso
soube por aqui mesmo, no facebook, na página de Paulo Machado, da morte de seu pai, Rudi, que,
mesmo de uma certa distância sempre guardei, e ainda guardo, uma
admiração sincera por tudo o que ele, seu pai, fez para
fazer da vida das crianças deficientes e de suas famílias, uma vida mais digna
e mais fácil de ser vivida. Quando penso nestes gestos cotidianos de compaixão
e amor aos outros, digo para mim mesmo com convicção que a vida de Rudi, que a
vida de seu pai, valeu a pena.
Hyezza, você ainda é muito nova,
mas já sabe que a morte é uma das poucas certezas que temos, mesmo tendo tão
poucas certezas sobre o que é a morte. Nós que mal sabemos em que direção nos
leva nossa própria vida...
Agora, aqui mesmo no facebook acabei
de encontrar estes teus versos: “Quando criança dormia
em seu peito e acordava na cama. Hoje, durmo e acordo sozinha, mas sonho com
seu peito.”. Sim Hyezza, é assim que ainda hoje, depois de mais de 12 anos do
falecimento de minha mãe, ainda durmo e acordo no colo de minha mãe, dentro de
mim, dentro do meu olhar e do meu peito...
Hyezza, lhe abraço como posso através
destas palavras e, por favor, abrace com a mesma franqueza sua mãe, sua irmã,
seus irmãos, sua família...
Hyezza, abra a janela daquele seu
atento olhar e veja: a vida está aí. Viva sua dor. É um direito seu. Mas, não se
esqueça de viver e de cumprir sua vida com a mesma verdade que seu pai cumpriu a
dele e que com toda certeza ele, seu pai, queria que você também cumprisse a
sua...
Hyezza, por meio deste bilhete te
ofereço o meu olhar de compreensão, franqueza e ternura.
