terça-feira, 29 de abril de 2014

| Marcos Cesário |

15 de abril de 2014





Cuidado! Voar baixo é perigoso demais...






Agora há pouco, uma amiga me chamou para ir até sua casa. Fui. Chegando lá, sem me dizer nada, ela me leva à sacada do seu apartamento, que fica no primeiro andar, para me mostrar o que viu quando acordou e olhou pela janela do seu quarto. Viu, um tanto assustada, um pequeno pássaro, um pardal, enforcado numa daquelas linhas que os garotos usam para soltar pipa e que uma hora ou outra acabam enganchando nos fios de alta tensão.

Ela me disse que ficou assustada. Ela nunca imaginou que um dos pardais, que voam distraidamente de lá para cá, pudesse em pleno voo enganchar o seu pequeno e frágil pescoço numa linha pendurada nos fios de alta tensão, ali, bem em frente à janela do seu quarto. Bem de frente ao seu olhar renascido, desprotegido, ainda acordando.

Eu mesmo fiquei um tempo, ali, em pé, na sacada do apartamento dela, olhando aquele pássaro que, voando, morreu enforcado. Há mesmo algo de triste em ver algo tão delicado, que respira e voa, acabar assim, enforcado, enquanto vivia sem muitos compromissos sua liberdade de pardal.

Talvez os pardais sejam os pássaros que mais conhecem o mundo dos homens. Eles fazem seus ninhos nos tetos das casas, pulam de um fio de alta tensão para outro. Correm, assim, muitos riscos estando também tão perto dos outros animais que vivem, por condição, perto de nós: os humanos. Já vi muito pardal sendo comido por gatos e cachorros e vi outros tantos morrerem com pedradas de estilingue... E, mesmo assim, eles, os pardais, continuam arriscando suas vidas morando perto de nós e de nossas cidades.

Mas, este mundo que estamos construindo está ficando cada dia mais perigoso para nós humanos, para os gatos, para os cachorros e para os pardais. E não dá mais para sair por aí andando ou voando sem riscos aqui por baixo, tão perto assim das antenas, dos prédios, dos postes, dos homens...

Caros pardais, tentem voar um pouco mais alto, mais acima de nossos prédios, de nossas casas, mas não voem muito alto; é que há homens voando bem lá em cima, a bordo de perigosos pássaros de metal. Mas tampouco voem perto demais das cidades, porque voar assim tão baixo é perigoso demais.