terça-feira, 25 de março de 2014

| Marcos Cesário |

25 de Março de 2014











Eu estava mais uma vez com meu amigo viajante Antonio Britto e, mais uma vez, ele estava falando com um entusiasmo fraternal da nobreza, da honestidade e da coragem de Laurenço, que frequentemente é ameaçado de morte por denunciar os políticos corruptos, os juízes vendidos... Denuncia e combate toda má sorte de corruptos!

Britto me contou que um dia desses alguém disse a uma sertaneja com quase nenhuma instrução formal que Laurenço era, é comunista. A senhora deu de ombros e, mesmo sem entender nada sobre o comunismo ou os comunistas, expressou sua opinião: “Não sei o que é este negócio de comunista, mas, se Laurenço é comunista, então é porque ser comunista é coisa boa!”.

Bem, existe uma verdade no sentimento desta afirmação, mas ela também reproduz e esconde uma outra questão que tem causado muita confusão entre nós: o de confundir uma pessoa com um partido, com uma religião, com um rebanho...

Quando alguém se diz budista não quer dizer que ele vive com a mesma coerência que desejou viver e que, de certa forma, viveu Buda. Um comunista não pode dizer-se tão nobre e corajoso como Ernesto Che Guevara, por dizer-se comunista, e não é qualquer cristão que pode dizer-se tão amoroso e justo quanto Cristo...

Em todas as épocas temos muitos exemplos de homens e mulheres que lutaram, e lutam, dando suas vidas pela vida dos animais, das árvores, das outras pessoas... para que com desgosto testemunhemos, tempos depois, falsários e canalhas se apropriarem de seus exemplos para subirem em palanques e púlpitos e usarem a nobreza e a estória de indivíduos corajosos, amorosos e nobres para seduzir o povo que eles desejam alienar e tiranizar.

É por isto que quando vejo um pastor, como o meu admirável amigo Genes Batista, eu não acho que os pastores são nobres, muito pelo contrário, eu sei que Genes é o que é por uma nobreza lapidada e por certas oportunidades que a vida lhe deu e que ele recriou; mas, acredito também que, de alguma forma, esta sensibilidade já estava com ele; esta sensibilidade, esta capacidade de amar, de acreditar e fazer o bem... Por isso mesmo quando olho para Genes não vejo “os cristãos”. Não. Vejo Genes de um lado e a maioria dos cristãos e dos pastores do outro lado. Às vezes até de lados opostos.

É por isto que, quando olho Laurenço viver como vive, ou ouço Britto ou outra pessoa falar da coragem e da nobreza de Laurenço, vejo Laurenço e nem sempre as ideias dos partidos que ele mesmo defende.

Laurenço, “bom dias” de justiça e luta para o seu olhar, amigo.