10 de fevereiro de 2014
Na minha adolescência, toda vez
que encontrávamos uma pessoa que tivesse quarenta anos e achássemos que ele ou
ela ainda estivesse em plena forma, ou nos raros casos, ainda fosse atraente,
um de nós sempre dizia: “Poxa! Que coroa arrumada (o)!”.
Para nós, todos os pais pareciam
“coroas” e todos os coroas se pareciam de alguma forma: barrigudos, sérios e
quase sempre indiferentes a nós, garotos e garotas que nos sentíamos quase
homens, quase mulheres, quase super-herois...
Quando, por um motivo ou por
outro, um destes coroas se interessava por nossas meninices e nos dava alguma
atenção, nós o considerávamos um “coroa legal!”, sendo ele bonito ou não; mesmo
que ele ou ela não fosse bonita (o) era, sem dúvida, um(a) “coroa legal!”.
Para nós, 40 anos era um lugar
distante de nós... Ia demorar muito tempo para chegarmos lá e de certa forma,
na adolescência, a gente meio que desconfia que vai morrer velho, mas com o
mesmo corpo de adolescente.
Como será que os amigos e as
amigas da minha filha mais velha, de 17 anos, me veem?
Bem, aqui estou eu, quase
quarenta... 39 anos... Fui conferir no espelho agora a pouco, não estou tão
relaxado, meu corpo está até ajeitadinho...Talvez algum adolescente me olhe na
rua e, falando para seu amigos, me aponte e diga: “Até que aquele coroa é
arrumado...” Mas, talvez os garotos nem
percebam muito este menino de 39 anos passando na rua com aquele mesmo olhar
sonhador do adolescente de 15 anos que fui e que ainda sou neste meu corpo que
acabou de fazer 39 anos.
Bem, pelo sim pelo não, se eu não
for um “coroa arrumado” que ao menos eu seja um irmão, um amor, um amigo e até um inimigo um tanto “arrumado”.
Mas, já está de bom tamanho se um
garoto comentando sobre algo a meu respeito com uma garota pergunte a ela: “Você conhece o Marcos?”, e a garota responda meio distraída, mas com certa
naturalidade: “Sei. Conheço o Marcos. Ele é um coroa legal”.
