terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

| Marcos Cesário |

10 de fevereiro de 2014







Na minha adolescência, toda vez que encontrávamos uma pessoa que tivesse quarenta anos e achássemos que ele ou ela ainda estivesse em plena forma, ou nos raros casos, ainda fosse atraente, um de nós sempre dizia: “Poxa! Que coroa arrumada (o)!”.

Para nós, todos os pais pareciam “coroas” e todos os coroas se pareciam de alguma forma: barrigudos, sérios e quase sempre indiferentes a nós, garotos e garotas que nos sentíamos quase homens, quase mulheres, quase super-herois...

Quando, por um motivo ou por outro, um destes coroas se interessava por nossas meninices e nos dava alguma atenção, nós o considerávamos um “coroa legal!”, sendo ele bonito ou não; mesmo que ele ou ela não fosse bonita (o) era, sem dúvida, um(a) “coroa legal!”.

Para nós, 40 anos era um lugar distante de nós... Ia demorar muito tempo para chegarmos lá e de certa forma, na adolescência, a gente meio que desconfia que vai morrer velho, mas com o mesmo corpo de adolescente.

Será que Balzac está certo? “A cada nova idade uma nova juventude”. Tomara que sim...

Como será que os amigos e as amigas da minha filha mais velha, de 17 anos, me veem?

Bem, aqui estou eu, quase quarenta... 39 anos... Fui conferir no espelho agora a pouco, não estou tão relaxado, meu corpo está até ajeitadinho...Talvez algum adolescente me olhe na rua e, falando para seu amigos, me aponte e diga: “Até que aquele coroa é arrumado...”  Mas, talvez os garotos nem percebam muito este menino de 39 anos passando na rua com aquele mesmo olhar sonhador do adolescente de 15 anos que fui e que ainda sou neste meu corpo que acabou de fazer 39 anos.

Bem, pelo sim pelo não, se eu não for um “coroa arrumado” que ao menos eu seja um irmão,  um amor, um amigo e até um inimigo um tanto “arrumado”.


Mas, já está de bom tamanho se um garoto comentando sobre algo a meu respeito com uma  garota pergunte a ela:  “Você conhece o Marcos?”, e a garota  responda meio distraída, mas com certa naturalidade: “Sei. Conheço o Marcos. Ele é um coroa legal”.