terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

| João Manuel Ribeiro |

04 de fevereiro de 2014









O orvalho da manhã:
resiste a madrugada
a despedir-se.

* * *

Inveja a planície
o beijo dos relâmpagos
à montanha.

* * *

Resiste a flora
o frio de Janeiro,
amor-perfeito.

* * *

No semáforo, a gaivota
liberta o olhar
das correrias da cidade.

* * *

Ao fim e ao cabo,
o que seremos:
pó.


* * *

O que escreveu no chão, ninguém sabe.
Para desvendar esse segredo
só restou uma mulher muda.


* * *

Certa perrice gramatical,

não reconhece o cigarro
como marido da cigarra.

*  *  *


Oh a morte
que tudo pode,
não pode matar-se!

*  *  *


Na noite, o rouxinol
canta a liberdade
que lhe foge…

*  *  *

Dormindo,
as aves serenam
a manhã.

*  *  *

No dorso do homem alado,
nenhuma palavra dirá
a fadiga do poema