04 de fevereiro de 2014
O orvalho da manhã:
resiste a madrugada
a despedir-se.
* * *
Inveja a planície
o beijo dos relâmpagos
à montanha.
* * *
Resiste a flora
o frio de Janeiro,
amor-perfeito.
* * *
No semáforo, a gaivota
liberta o olhar
das correrias da cidade.
* * *
Ao fim e ao cabo,
o que seremos:
pó.
* * *
O que escreveu no chão, ninguém sabe.
Para desvendar esse segredo
só restou uma mulher muda.
* * *
Certa perrice gramatical,
não reconhece o cigarro
como marido da cigarra.
* * *
Oh a morte
que tudo pode,
não pode matar-se!
* * *
Na noite, o rouxinol
canta a liberdade
que lhe foge…
* * *
Dormindo,
as aves serenam
a manhã.
* * *
No dorso do homem alado,
nenhuma palavra dirá
a fadiga do poema